ETECs – Jogando a m*rda no ventilador

10 mai

É de conhecimento geral de todos os habitantes do estado de São Paulo que o governo é muito orgulhoso do seu ‘investimento’ nas ETECs e no futuro dos jovens paulistas, afinal foi entregue um número X de ETECs no ano passado. Mas o que nem todos sabem é que isso se trata de mera obra política – o governo só se preocupa em entregar prédios, e não está nem aí para a contratação de professores ou para a qualidade do ensino. O processo para contratação de professores é mil vezes mais complicado do que em uma escola pública normal, já que os candidatos devem ser examinados por uma banca e terem certo número de pontos atribuídos para que possam dar aula. Se algum professor desistir, é necessário que haja uma nova banca, fazendo com que os alunos passem um bom tempo sem aulas.

Sou aluna de uma ETEC na capital paulista, e na sexta-feira passada fomos informados de que a maioria de nossos professores estavam sem receber (ou seja, trabalhando de graça) desde fevereiro, e que isso não era fator exclusivo de nossa escola – várias outras ETECs enfrentavam o mesmo problema.

Um professor da ETEC ganha menos da metade de um salário de professor da rede pública normal e não tem direito aos benefícios de servidor público. Para maquiar o atraso dos salários, foi oferecida a eles uma parte do salário, e o resto seria recebido depois. Claramente, nenhum professor quer trabalhar nessas condições; e o valor recebido não chega a cobrir os gastos em materiais para preparar uma aula interessante, como DVDs originais e revistas.

Hoje, 10/05, houve uma manifestação de alunos na Pinacoteca do Estado ao meio-dia, reunindo alunos de grêmios estudantis e das ETECs para discutir essa situação. Depois, às 14h00, houve uma assembléia de professores e alunos na ETESP (Escola Técnica de São Paulo) para definir exatamente como será o procedimento de greve. Eu, infelizmente, não pude comparecer a nenhuma das ações, mas minha amiga Bárbara Sena foi e me relatou como foi:

Não tinham muitos alunos, mas tinha professores de várias ETECs falando de como a greve está chegando até a sua escola. Mas pelo que falaram, a maioria dos alunos vai ajudar. Vimos a montagem do calendário da greve e se for assim vai dar certo. Vamos fazer uma assembleia com os alunos para fazer com que nós ajudemos também. Não sei dar detalhes sobre o calendário da greve, mas vai ser lançado no site e daremos um jeito para que todos saibam direitinho como vai acontecer.

Agora que a m*rda foi jogada no ventilador, esperamos que esse esquema político da construção das ETECs venha à tona e torcemos para que a população crie mais consciência. Não só a população em geral, mas também os alunos: a greve é importante, mas não para dormir até as três da tarde. Façam o possível para participarem, afinal, isso só nos trará benefícios.

LEIA TAMBÉM: http://vinidoggll.wordpress.com/2011/05/10/revolta-nas-etecs/ – texto de um colega de escola meu.

A margem.

7 abr

Comecei a sofrer as consequências de mergulhar no submundo ‘freak’. Os idosos, que supostamente são os componentes mais inteligentes da nossa sociedade, deveriam saber que ninguém deve ser julgado pela aparência. Não é o que acontece na prática, principalmente pelos mais conservadores.

Estou no ônibus, e uma senhora se senta ao meu lado, e repara no meu cabelo colorido. Me olha como se eu fosse a culpada confessa de um crime hediondo e inafiançável, mas não profere uma única palavra.

Sim, somos jovens, gostamos de cabelos coloridos; furos em nossas línguas, narizes, orelhas, lábios, septos, freios, umbigos, sobrancelhas; orelhas alargadas em alguns (ou vários) milímetros; obras de arte eternas feitas com tinta e agulha em nossa pele. E somos julgados por pessoas que não tem a mais tenra idéia de quem somos, e por que fizemos isso. Meu cabelo colorido pode ter um significado importante para mim que aquela mesma senhora, que me olhou com tanto medo no ônibus, desconhece. A mesma coisa sobre o piercing ou a tatuagem de outras pessoas andando por aí. Me ensinaram em casa a respeitar o gosto e a opinião alheios – é claro que também tenho meus julgamentos precipitados. Mas será que o simples fato de eu ter uma parte do meu cabelo tingida de azul me faz um ser humano indigno?

Sim, eu sou culpada. Culpada de ter me convertido a esse submundo tão marginal e desvirtuado aos olhos dessas senhorinhas conservadoras. Poderia ser sua neta, vovó. Se eu tivesse o seu sangue, meu cabelo seria tão acusatório quanto é agora, que sou apenas uma garota no ônibus, que a senhora nunca mais verá?

Horóscopos

21 jan

Não leio predições diárias, não baseio minha vida por nos astros e não acredito em superstições. Mas acredito em horóscopo, sim. Quer dizer, no perfil dos signos. Como hoje eu não tinha nada pra fazer grande novidade eu e minha irmã resolvemos procurar nossos signos em vários tipos de horóscopo. E lá vai o resultado.

  • Zodiacal: Capricórnio
  • Asteca: Cão
  • Chinês: Porco (Zhu)
  • Árvores/Druídas: Quaresmeira
  • Egípcio: Deusa Bastit
  • Cigano: Taça
  • Flores: Campainha imperial
  • Xamânico: Ganso da Neve
  • Viking: Deus Tyr
  • Japonês: Javali (Inoshishi)
  • Pedras: Turquesa
  • Cores: Amarelo

E o mais incrível é que eu realmente me encaixo nos perfis de todos os signos. Além de já ter feito perfis completos do horóscopo zodiacal/grego – aqueles que incluem o sol, a lua e o ascendente – já fiz algumas simpatias, haha.

Sábado à Noite

9 dez

Amy já tinha certeza do que fazer, embora não tivesse um motivo tão convincente. Achava que a paixão de Brian por zumbis ia aceitar o que ela estava decidida a fazer sem muitas objeções.
Talvez ela fosse psicopata, talvez fosse uma adolescente entediada, quem iria saber? Não queria se justificar, mas se fosse preciso, tinha ao menos a desculpa da namorada cega de ciúmes. Nas palavras de Brian, Julie não gritava tão bem como ela. Ou então ela poderia tentar fazer com que os legistas acreditassem no suicídio de Brian – toda a cidade conhecia sua predileção por morte, zumbis e sangue. Pouca gente duvidaria que Brian Lionel Wood se mataria, só pelo simples prazer de finalmente entrar no mundo que tanto amava – o da morte.
E quem era Julie, que não gritava tão bem quanto Amy? Isso não importava. Amy entrou no seu carro negro e brilhante, se dirigiu a casa de Brian, como um morcego cortando a noite. Tocou a campainha, como se não tivesse nenhuma intenção para aquela noite. Os dois tomaram sua costumeira bebida – cerveja preta – embora muita gente achasse que eles eram dois vampiros bebebores de sangue, não passavam de dois adolescentes bebedores de cerveja.
No carro negro de Amy, os dois se beijaram no banco de trás, depois rumaram para a casa dele. Durante os beijos, ela tentava pensar num jeito de realizar seu plano de forma indolor, mas desistiu – seria de um jeito sangrento, como Brian gostava de assistir nos filmes.
Ao chegarem no quarto, ela puxou um maço de cigarros e os dois se sentaram na cama para fumar, como de costume. Ela virou de costas e enfiou a mão no bolso interno do casaco, procurando a faca. Então, de repente, Amy sentiu a dor profunda causada pela lâmina perfurando suas costas. Como? Por que? A mão que lhe dava a facada era de Brian, fazendo nela exatamente o que Amy planejava fazer com ele.
Amy foi jogada no chão, e sangrava. Sentiu a lâmina perfurar seu corpo mais três vezes. Encarou o sorriso maníaco do namorado pela última vez, e ouviu pela última vez:
– Adeus, garota vampiro.
Brian pegou o corpo ensangüentado, partiu da casa e rumou até a montanha onde costumava ver a lua com Amy. Depois de ver a lua ‘acompanhado’ por ela uma última vez, foi até a rua do cemitério e escreveu numa parede branca, com o sangue dela:

A. D. Ville, B. L. Wood
13/8.

Largou o corpo de Amy em cima de um túmulo aleatório no cemitério, que ele já tinha entrado tantas vezes de madrugada. Deu uma última olhada e foi embora. A cidade acordou escandalizada – Brian havia desaparecido, Amy estava morta em um túmulo no cemitério. E havia surgido uma nova frase, em spray preto, na inscrição de Brian – “by the light of the moon”, pela luz da lua. Porém, o significado daquilo, apenas uma pessoa sabia.

A. D. Ville, B. L. Wood
13/8. – by the light of the moon.

Alice Cooper – Theatre of Death

30 nov

Alice Cooper merece o título de “maior showman do rock”, e o nome desse DVD não poderia ser mais apropriado. O show de Alice é um verdadeiro musical da morte. Acompanhado por quatro excelentes músicos, vários atores e acessórios, ele faz seu espetáculo, e a encenação segue uma sequência, de acordo com o tema das músicas.

Abre com a clássica “School’s Out” (que é tocada duas vezes ao longo da uma hora e meia cravada de concerto), levando o público ao delírio. Alice não interage muito com o público – talvez para não quebrar o “show de horrores” que acontece no palco, a interação máxima que acontece é quando ele atira colares de pérolas (falsas, é claro) para a platéia, em “Dirty Diamonds”.

Eu, que não conhecia muito do trabalho de Alice antes de assistir o DVD, conheci muitas músicas novas, e me impressionei com o teatro que é um show dele. Ele morre na guilhotina, na forca, leva uma injeção letal, é atacado por zumbis e sempre volta. O setlist também é matador: eu, que só conhecia os clássicos, me apaixonei por “Vengeance Is Mine”, “Dirty Diamonds”, “Only Women Bleed”, “I Never Cry” (as duas últimas são tocadas em um medley), “Guilty” e “Wicked Young Man”. Também é impressionante ver que aos 62 anos, Alice ainda faz shows impecáveis. O show, além das guilhotinas e forcas, tem espadas, dólares, os “billion dollar babies”, bonecos e a enfermeira Tiffanny, que contracena com Alice em várias músicas (inclusive, o mata no final de “I Never Cry”).

Após as ‘mortes’ de Alice em cena, os membros da banda fazem jam sessions, mostrando sua competência. Gostei especialmente do baterista, fazia tempo que eu não via um baterista tão talentoso. O show de Alice Cooper se trata de um teatro extremamente bem montado, com músicas matadoras (só não gostei de cantarem apenas o refrão de “I Love the Dead”) e bem executadas por um quarteto de ótimos músicos, com um vocalista performer e sua presença de palco incrível.

Guns N’ Roses, a essência

27 out

Guns N’ Roses, Appetite for Destruction, 1987. Quando eles ainda eram Axl (vocal), Izzy (guitarra base), Slash (guitarra solo), Duff (baixo) e Steven (bateria); pobres garotos perigosos de Los Angeles que exalavam rock n’ roll por todos os poros. Basta ouvir o disco para ouvir aquela aura suja, pesada e perigosa que exala de todas as canções. A música é algo muito superior ao ser humano: não está ao nosso alcance compreender por que ela mexe tanto conosco, tem personalidade própria e expressa nossas emoções e vontades tão profundamente. Só podemos aproveitar essa sensação maravilhosa ou então fazer a nossa própria música.

Algumas músicas de Appetite quase me fazem sentir no cenário da época: mulheres, drogas, rock n’ roll. Pobreza. Mas eles faziam aquilo porque realmente queriam. Ao ouvir “Mr. Brownstone”, quase consigo sentir o efeito da heroína (ou imaginá-los sob o efeito dela), e me sinto um pouco como a “Rocket Queen”. Será que o “Nightrain” irá nos levar de volta pra “Paradise City” ?

A banda gravou uma sucessão de discos de estúdio após esse (Lies, Use Your Illusion I & II, Spaghetti Incident) antes de se desfazer. Os outros discos são ótimos, mas nenhum deles captura a essência sincera e a simplicidade punk de Appetite, um disco que exala o cenário em que foi gravado em sua aura. É isso que faz dele um dos meus discos preferidos de todos os tempos.

CRASHDÏET – Generation Wild Tour, São Paulo, 2/10/10

7 out

Mais uma vez, vim fazer resenha de um show. Perdoem-me a imparcialidade, mas é difícil sermos muito críticos quando vemos um show de nossa banda preferida e idolatrada. Bom, vou tentar deixar de lado o fato de eu ser doente por CRASHDÏET e escrever uma resenha digna do show :)

Logo na fila, houve um atraso – cheguei lá por volta das 18:15 e a casa ainda estava fechada, no ingresso constava que abriria às 18:00. Lá encontrei a minha ameesha lindja Lena Sweet, e após uma espera longa (ou talvez seja só a minha ansiedade), o Inferno abriu. A banda de abertura começou seu show uns 15 minutos depois, mais ou menos, e eu me surpreendi. A Sleaze Vice superou todas as minhas expectativas e fez um show bastante digno de aproximadamente 30 minutos, tocando músicas próprias (destaque para “Sex, Drugs & Rock N’ Roll) e dois covers que me fizeram cantar bem alto: “Live Wire” (Mötley Crüe) e “We Don’t Celebrate Sundays” (Hardcore Superstar), essa última com participação de Danny Poison, guitarrista da banda ex-sleaze e agora metalcore Bastardz, e também o DJ da noite.

Após o show da Sleaze Vice, o DJ set de Danny, que contava com os clássicos do hard rock/glam metal e também das bandas de sleaze. Não sei se foi a minha impaciência, mas demorou demais. Então, aproximadamente às 20:45, sobem ao palco Peter London (baixo), Martin Sweet (guitarra), Simon Cruz (vocal) e Eric Young (bateria); arrancando gritos histéricos e apaixonados das fãs presentes (eu incluída, claro). O show se inicia com uma do CD novo, “Down With the Dust”, cantada em uníssono pela platéia. A próxima, também do novo, é “So Alive”, mantendo o pique causado pela primeira música. O primeiro sucesso a ser executado pelos suecos é “In The Raw” (uma das duas músicas de The Unattractive Revolution tocadas no show), a primeira na qual eu realmente agitei por saber a letra inteira de cor.

Em seguida, a minha preferida do último CD e a segunda melhor música do CRASHDÏET, “Native Nature”, seguida pela minha preferida, “Falling Rain” – que me fez querer chorar ao ouvir os primeiros acordes, de tão apaixonada que sou por essa música. O maior clássico da banda, “Riot in Everyone”, quase fez o Inferno explodir de tanto que gritamos – logo ao ouvir o som de sirene que inicia a faixa, senti a revolução dentro de mim. Para pular ainda mais, tivemos “Rebel” na sequência, que tem uma guitarra que me alucina *_*

A trinca de Generation Wild que vimos em seguida (“Armaggedon”, “Bound to Fall” e “Chemical”) não me fez acreditar que eu estava ali. Um dos melhores refrões da história do hard rock, na minha opinião, é “Bound to Fall”, e eu me sentia realmente numa experiência durante “Chemical” – a experiência do rock n’ roll, todos nós, fãs, a poucos metros de nossa banda favorita, ouvindo nossas músicas favoritas tocadas por nossos ídolos.

Eles deixaram o palco em duas ocasiões, que levaram grande parte do público à loucura: “como eles podem sair sem tocar ‘Generation Wild’ ou ‘Queen Obscene’ ?”. Pra combinar com o lugar, “Straight Outta Hell” (‘saindo direto do inferno’) e a clássica “Breakin’ The Chainz”, ambas do primeiro álbum, Rest in Sleaze. O vocalista Simon pede que acendamos nossos isqueiros em homenagem a Dave Lepard, o falecido vocalista, e agora é a vez de “It’s a Miracle”, um momento realmente emocionante.

Simme também se arrisca na gaita, numa animada jam session antes de “Tikket”, quando o guitarrista e fã brasileiro Chris Young sobe para tocar junto com eles. Mais uma pausa, e então as duas músicas faltantes: “Queen Obscene/69 Shots” (clássica, cantada com vigor por aqueles que, como eu, queriam perder a voz) e o novo single “Generation Wild”, que tem a mesma temática ‘revolucionária’ de “Riot in Everyone”. Ao fim do show, eles se despedem, dão as mãos para o público, agradecem e Simon dá um mosh.

Perfeito. Não vou dizer mais porque seria impossível descrever esse momento. Só quem estava lá e ama o CRASHDÏET tanto como eu sabe como foi.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.